21-03-2010 Pesquisa em oncologia



Estudo sugere que ácido acetilsalicílico reduz risco de morte em vítimas de câncer de mama



Estudo sugere que ácido acetilsalicílico reduz risco de morte em vítimas de câncer de mama

Um estudo multicêntrico americano, publicado em fevereiro último na homepage do Journal of Clinical Oncology, revelou em suas conclusões que entre as mulheres vivendo ao menos um ano após o diagnóstico do câncer de mama, o uso do ácido acetilsalicílico (AA) foi associado com uma redução do risco de recorrência e morte pela doença.

Em um período de 26 anos, pesquisadores do Channing Laboratory, do Departamento de Medicina do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard Medical School, do Departamento de Oncologia do Dana-Farber Cancer Institute e dos Departamentos de Epidemiologia e Bioestatística da Faculdade de Saúde Pública de Harvard (Boston, Massachusetts, Estados Unidos) monitoraram a
saúde de 4.164 enfermeiras que haviam sido diagnosticadas com câncer de mama estágios I, II, ou III, entre 1976 e 2002, e foram observadas até o óbito ou até junho de 2006, o que ocorresse primeiro.

O desfecho principal foi o risco de mortalidade por câncer de mama, conforme o número de dias por semana em uso do AA (0, 1, 2 a 5, ou 6 a 7 dias), primeiro avaliado ao menos 12 meses após o diagnóstico e posteriormente atualizado. De acordo com os investigadores, ocorreram 341 mortes por causa do câncer de mama. O uso do AA foi associado com uma redução do risco de morte por câncer de mama.

Comparadas às mulheres que não tomavam o medicamento, as que receberam o AA de duas a cinco vezes por semana reduziram em 60% as chances de metástase e em 71% o índice de fatalidade em razão do retorno da doença. Já as que receberam semanalmente seis ou sete comprimidos reduziram em 43% a probabilidade de o câncer se espalhar e em 64% de morrer.

O risco relativo ajustável para 1, 2 a 5, e 6 a 7 dias de uso de AA por semana comparado com nenhum uso foi de 1,07 (95% IC, 0,70 a 1,63), 0,29 (95% IC, 0,16 a 0,52) e 0,36 (95% IC, 0,24 a 0,54), respectivamente.

A investigação, entretanto, não foi capaz de especificar porque o AA promove esse feito sobre as pacientes, contudo, segundo os pesquisadores suspeitam, pode ser em razão da habilidade de o medicamento reduzir a inflamação das células humanas. Para esta comprovação, estudos futuros se fazem necessários.

Fonte: Journal of Clinical Oncology, 10.1200/JCO.2009.22.7918